segunda-feira, julho 25, 2005

Em Espelho ...

Quando alguém demora muito tempo a fazer alguma coisa, dizemos que é lento ... mas quando sou eu, sou meticuloso;

Quando alguém deixa alguma coisa por fazer assumimos que é preguiçoso ... mas quando sou eu que não faço, é porque estou demasiado ocupado;

Quando alguém faz alguma coisa sem que lhe tenham pedido achamos que está claramente a ultrapassar os limites e as suas competências ... mas quando sou eu a fazer a mesma coisa é porque revelo iniciativa;

Quando alguém defende com energia a sua opinião assumimos que está a ser teimoso ... mas quando sou eu a ter essa atitude é porque sou firme nas minhas convicções;

Quando alguém comete um erro pensamos que é óbvio que aquilo tinha que se dar ... mas quando sou eu a comete-lo foi pura falta de sorte;

Quando alguém negligencia alguma regra de etiqueta é porque é rude e malcriado ... mas quando isso acontece comigo é porque sou muito distraído;

Criticamos a teimosia, mas louvamos a persistência. A primeira é uma das características do nosso vizinho, enquanto a outra é uma das nossas qualidades ...

E é por essa razão que se torna difícil corrigir as nossas falhas, porque só as reconhecemos nos outros ...

Li qualquer coisa parecida com isto algures ... e apeteceu-me partilhar ...

Caracolinha Reflectora

domingo, julho 24, 2005

«Sexo» ou «Cego» ????

Tendo ontem tido um tempinho extra para me passear nos blog’s do costume fui dar de caras com uma troca de palavras engraçada numa resposta a um comentário ... um autêntico «acto falhado», como, de resto o classificou o seu autor, e que veio a dar o mote para este post por me ter levado a uma curiosidade gigantesca sobre qual a explicação para o engano. Sim, porque tudo tem uma explicação, nada acontece por acaso !!!!

Disse o «miúdo» que «não era do cego feminino» ... e isto deixa-me a pensar ... trocar a palavra «sexo» pela palavra «cego» e, ainda por cima, no «feminino» ...

Esta simples troca de duas letras leva-nos a colocar a seguinte questão: serão cegas todas as mulheres que não pensam em sexo, e aqui temos que atribuir à palavra cego um sentido figurativo, do tipo, são mulheres que andam «fechadas para o mundo», ou será que todas as mulheres que não têm oportunidade para desfrutar dele por razões que não se prendem directamente com a sua vontade, têm fortes probabilidades de desenvolver graves problemas de visão com o passar do tempo ????

É que encontrar uma explicação plausível para esta questão atempadamente pode significar a diferença entre termos ou não que pedir com urgência fundos à Comunidade Europeia para investir em Centros de Treinos para cães guias !!!!!!

Aceitam-se sugestões para desatar este nó ...

Caracolinha Psicanalítica

sexta-feira, julho 22, 2005

Faz Hoje UM MÊS que « Saí da Casca ... »

Pois é ... faz precisamente hoje UM MÊS que me iniciei nesta aventura do Snail Tale ... o tempo passa depressa quando nos divertimos, e quando hoje me dei conta que já tinha passado tanto tempo desde o primeiro post, apercebi-me também que a minha motivação para aqui escrever com tanto entusiasmo se deve essencialmente a todos vocês que usualmente me fazem estas simpáticas e ternurentas visitas.

Queria agradecer-vos a todos os bons momentos que (julgo) temos vivido aqui na casquinha ... afinal, o que é a vida sem a partilha ????

Que o tempo sirva sempre para nos unir ainda mais.

Beijinhos a festejar o PRIMEIRO MÊS DE EXISTÊNCIA !!!!

Um BEIJINHO ESPECIAL aos «Padrinhos» e AMIGOS DO CORAÇÃO, Vespinha e Mocho.

Caracolinha Festiva

quinta-feira, julho 21, 2005

« DesaFINANÇAS ...»

Qual não é o meu espanto quando, ontem à noite, vinda eu ainda a viver as réstias de felicidade que trazia por ter estado a nidificar com o amigo mocho, mais os amigos do costume, chego a casa ainda de sorriso rasgado ... ligo a televisão do quarto e ... o meu queixo cai .... sento-me à bordinha da cama assistido incrédula à notícia que passava na SIC Notícias ... o Ministro das Finanças «deu à soleta», «pôs-se ao fresco», «bazou», «deu de frosques», «raspou-se», «levantou a âncora», «saiu», «abandonou o cargo», «pôs o lugar à disposição», «apresentou a sua demissão» ... seja lá que nome lhe dermos continua sempre a parecer estranho...

E parece-me estranho por muitas razões mas, essencialmente por esta: como é que é possível que um homem, que há bem pouco tempo, tomou decisões de uma violência extrema (não está aqui em causa a intenção com que decidiu), que nos afectam a todos, e de que maneira, que podem marcar a diferença entre o desabar ou não de muito orçamento familiar, se lembre agora de dizer que já não lhe apetece mais jogar a este jogo ????

Eu até percebo que, de facto, ele possa ter ponderado que perder as chorudas reformas das quais beneficia o podia fazer vacilar entre continuar ou não ... mas porque é que ele não se lembrou logo disso ????

Foi preciso primeiro arrasar com o nosso, já parco, bem estar, fazer-nos pagar (AINDA) mais IRS, aumentar o raio do IVA e, em consequência disso, o preço de quase tudo aquilo em que tocamos, continuar a insistir em enveredar por projectos megalómanos que, quando espremidos, acabam por nos fazer ver que a montanha pariu um rato, fazer de conta que estava a dar um bom exemplo a prescindir das suas reformas para, afinal, voltar a trás e roer a corda.

Mas agora pergunto eu ... e quem é que vai ficar cá a pagar a factura das argoladas que entretanto ele se entreteve a fazer ?? Os do costume, claro !!!!

O que me horroriza, neste e noutros governos com que já tivemos levar, é a impunidade com que exercem as suas funções ... prometem mundos e fundos nas campanhas, todos, sem excepção, ganham as eleições à conta dessas tretas, porque o povão, já desesperado, parece o burro atrás da cenoura e vai a correr, perseguindo as ilusões porque tem que acreditar nalguma coisa e depois é vê-los ... todos iguais. Chegam à cadeira do poder e olham todos para os papeis com o sobrolho franzido, abanam a cabeça, franzem de novo o sobrolho, abanam outra vez a cabeça e lançam a célebre frase «realmente, a situação do país é caótica...».

Mas digam-me lá por favor se sou eu que estou com os copos ou se é preciso um tipo ser Ministro, Secretário de Estado ou mesmo Deputado para ver que este país já passou o prazo de validade há muito tempo ... para ver que se continuam a revezar no poder partidos que passam a vida a dizer que a culpa é do outro ... assim até parece que não custa nada ... sim porque se continuam a esbanjar milhões a alimentar uma máquina estatal que já está mais ultrapassada que os cortes de cabelo do Marco Paulo, e não se vê nada a melhorar, antes pelo contrário.

E o pior é que olhando à volta as alternativas são todas tão credíveis como os milagres anunciados por algumas igrejas que nascem por ai como cogumelos ...

Por isso Sr, agora Ex, Ministro das Finanças, que a vida lhe seja leve, e deixe estar-se sossegadito que nós cá ficaremos todos com um sorriso estampado na fronha a pagar a factura das belas obras que decidiu edificar durante este tempo em que desfrutou deste brinquedinho que lhe puseram nas mãos ...

O meu muito obrigada pelo seu empenho e pelo carinho com que transformou a minha vida numa surpresa diária ... porque agora, quando vou pôr gasolina, nunca sei quanto é que vou pagar por ela não é ????

E há lá coisa melhor do que quebrar a monotonia na vida de um cidadão ????

Caracol Espantado

A Passo de Caracol ...

Depois de uma árdua batalha e de longos dias de desgaste neuronal, agravados por algumas doses de frustração associada a derrotas sucessivas, que são inerentes a este fantástico fenómeno que é a aprendizagem, contando com a prestimosa colaboração do querido Mocho, que me deu um papel (cor de rosa !!!!????) que eu fiz o favor de perder e de umas «explicações» feitas «à redea solta» e de forma intensiva, gratuíta (!!!!) mas, acima de tudo, muito eficaz ... finalmente parece que já consigo pôr estes link’s nos post’s que ficam todos janotas ... um pequeno passo para a Caracolinha, um grande passo para o mundo dos Bloggs ...

Isto prova que, mesmo a passo de Caracol, o importante é chegar ao destino ...

Este post é dedicado a ti IM ... vê lá se não vai ter contigo direitinho ????

A todos um MUITO BOM DIA e uma beijoquinha minha !!!!

Caracol Feliz com a Nova Conquista

quarta-feira, julho 20, 2005

Parabéns Mocho !!!!


Sabes mochinho, nós andamos do lado “colorido” da vida porque só assim nos faz sentido sermos felizes... e porque és meu amigo e irmão desde sempre, nesta amizade que selámos com aquele “famoso” abraço à saída da faculdade “naquela noite” de Novembro, te quero dedicar todas, mas todas, estas palavras. São para ti. Que as mereces. Uma a uma.

Respiramos o mesmo ar, rimos até sufocar, entendemo-nos sem mais, e sem palavras banais, falamos a mesma língua,

Já demos os mesmos ais, chorámos as mesmas lágrimas, sempre e sempre a querermos mais, empurramo-nos para cima, seguramo-nos ao colo, somos meninos pequenos, tocamos o mesmo solo,

Caímos e levantamo-nos, serramos as nossas vidas, lambemos as nossas feridas, cantamos a uma só voz, sem nunca ficarmos sós, damos sempre o mesmo abraço, pisamos a mesma areia, fazemos a nossa teia e flutuamos no espaço,

Sentimos o mesmo gosto, saímos à mesma hora, e encontramo-nos depois, seja lá dentro ou cá fora, tocamo-nos à distância, olhamos o mesmo céu, acalmamo-nos a ânsia, mesmo nas noites de breu,

Abrimos o coração, socamos a mesma dor, estendemos a nossa mão, já chorámos por amor, recolhemo-nos juntos e acordámos felizes, resgatámo-nos da tristeza, falámos de cicatrizes,

Entregámo-nos sem mais, ficámos de olhos abertos, nós somos mesmo os tais, que estamos sempre por perto, e sorrimos de conforto, por nos sabermos irmãos, ancorámos neste porto, sem sabermos a razão,

Somos a mesma criança, fazemos um ar de mimo, sabemos a semelhança, nunca perdemos o tino, dizemos que queremos mais, somos meninos pequenos, temos ciúmes brutais, e jamais nos perderemos,

Porque um dia que te vir, num sítio onde não estou, já nem tu te reconheces e já nem eu sei quem sou...


Espero que tenhas gostado porque cada uma destas palavras foi escrita por mim a pensar em ti.

Desculpa se te pareço egoísta mas esta música é para NÓS ... porque será ??

Amo-te Mocho, AMIGO E IRMÃO DE SEMPRE. Amo-te Profundamente.

MUITOS PARABÉNS

Caracol Celebrador

terça-feira, julho 19, 2005

Para Ti C.

Recebi esta mensagem, que agora reproduzo na íntegra, pela mão de uma pessoa que conheci no meu emprego há relativamente pouco tempo, mas que depressa passou a fazer parte do «meu mundo».

Isto porque nestes dias repletos de banalidade, conhecer alguém que faz da sensibilidade a sua arma de arremesso, acaba por ser uma lufada de ar fresco, semelhante àquela que se tem quando se abrem as janelas de uma casa que já se encontra fechada há muito tempo ...

A ternura que dizes que eu tenho pelas «pessoinhas» é apenas e também o reflexo da tua própria ternura. És uma grande mulher e tens uma linda filha em cujas histórias me prendo pela beleza que emana de cada palavra com que as descreves. És uma pessoa com muita luz. És uma pessoa feliz porque a ti retorna todo o bem que trazes à vida de quem te rodeia.

Esta tua mensagem fala das avós, um assunto que me é particularmente grato – não só pelo que já tive oportunidade de dizer neste blog mas também porque tenho uma verdadeira devoção pela 3ª idade (como sabes) – mas isso fica para outro post.... esta descrição de avó podia bem ter sido feita por mim, em qualquer idade...

Sei que vais CORAR MUITO quando leres este post que te é inteiramente dedicado, mas esta é uma homenagem absolutamente justa à pessoa que és.

Obrigada minha querida C. Gosto muito de ti e admiro-te muito.

As tuas palavras são as que aqui deixo a verde, a cor da esperança. O teu mail é o que reproduzo a azul, a cor do mar. As minhas palavras para ti são laranja, a minha cor.

«Provavelmente já conheces, mas a ternura que tens pelas pessoinhas mais crescidas deve ser porque também pensas como uma criança naquilo que é essencial.»

Artigo redigido por uma menina de 8 anos e publicado no Jornal do Cartaxo. Uma delícia!

«Uma Avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros. As Avós não têm nada para fazer, é só estarem ali. Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores bonitas nem as lagartas. Nunca dizem "Despacha-te!". Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem apertar-nos os sapatos. Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior. As Avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes. Quando nos contam histórias, nunca saltam bocados e nunca se importam de contar a mesma história várias vezes. As Avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo. Não são tão fracas como dizem, apesar de morreram mais vezes do que nós. Toda a gente deve fazer o possível por ter uma Avó, sobretudo se não tiver televisão.»

Caracol Familiar

domingo, julho 17, 2005

« AAAAAAAAíííííííí a Minha Vida .... »

Noite de sexta feira. Início de fim de semana. Mãe a sul a gozar os prazeres do seu refúgio algarvio e da sua merecida reforma que chegou há mais ou menos um ano. Padrasto a caminho para se juntar a ela. Amigos. Os do costume.

Está tudo combinado há mais de uma semana, com a Vespa a liderar o processo pois é ela a Xutomaníaca...

Apesar de ter dançado muito nos anos 80 ao som de músicas como «n’américa», não posso eleger os Xutos como estando no topo das minhas bandas preferidas, se bem que estão logo a seguir. Digamos que sou simpatizante, principalmente, depois do grande concerto a que assisti no Pavilhão Atlântico em Outubro último. É impossível ser indiferente à qualidade do som, à empatia dos Xutos com o seu público, à sua humildade e à descontracção e absoluta satisfação que revelam em palco.

Tudo o que envolve Xutos é para a Vespinha tão importante como é para o Marques Mendes correr com o Isaltino e com o (pseudo) Major Valentim para fora do PSD. Por isso foi levar com ela a semana toda com uma conversa recorrente do tipo «na 6ª feira não se atrasem heim ???? é para estar às 21 no sítio que combinámos...», com músicas e posts de Xutos no seu blog e por ai adiante.

Que, como diz o Mocho, a Vespa quando gosta nunca é pela rama. E é também por isso que todos nós gostamos dela desde a raiz do ferrão até à ponta das antenas !!!!

A equipa que se ia juntar à hora combinada já estava formada e incluía: a Vespinha como ponta de lança destacada, no meio campo o ZP. e a C., a Galinha como trinco e «à defesa» eu e o Mocho que, de todos, éramos os menos Xutodependentes ...

Depois do feliz encontro com um quarto de hora de atraso, apresentações feitas a quem eu não conhecia – ZP. já te disse que foi um prazer conhecer-te???? – eis que fiquei a saber que a nossa equipa integrava um suplente que eu estava também prestes a conhecer, o P., bem simpático, por sinal.

E lá fomos os sete fantásticos a caminho do Alfredo Keil, em Monsanto.

Quando chegámos, depois de 5 minutos a andar do carro até ao local do concerto, deparámo-nos com o cenário do costume: pessoas de todas as idades, desde bebes de colo com o famoso lencinho vermelho na cabeça, a senhores e senhoras de uma idade respeitável que bem podiam ser meus avós – e este lado é, também, intrínseco aos Xutos. Não há idade para se gostar, todos estavam lá com o mesmo intuito, o de prestar mais uma homenagem à sua banda de eleição porque também é isso que os Xutos fazem aos seus fãs quando tocam. Homenageiam-nos a cada acorde, tocam-lhes com cada palavra, abraçam-nos com cada actuação.

Quando escolhemos o lugar para poisar olhámos em volta e sorrimos. Não podíamos deixar de sorrir com aquela cumplicidade que anos de amizade confere, ao vermos pessoas como aquela senhora dos seus cinquenta e muitos anos, com um visual que ancorou nos anos 80, que vestia uma camisola azul bebe com uns enchumaços do tipo futebol americano e ao pescoço um colar da mesma cor da camisola composto por umas bolas de um tamanho descomunal que se assemelhavam a bolas de ping pong. À nossa frente dois casais cada um com seu bebe de lenço vermelho na cabeça, tiravam, orgulhosos, fotos dos rebentos.

Por volta das 22 e 10 as luzes apagam-se e anuncia-se que afinal de contas o concerto de Xutos vai ter uma primeira parte trazida por um grupo com um nome tão estranho como, na minha modesta opinião, a própria música que tocavam. SK6. Para quem aterra de pára-quedas e vai fazer a primeira parte de um concerto de uma banda como os Xutos, a tarefa é árdua. E, de facto, foi. Eu e o mocho não conseguimos evitar autênticos ataques de riso durante a sua actuação, principalmente quando eles diziam «agora vamos tocar uma que toda a gente conhece» e era ver as pessoas a encolher os ombros como que a perguntar de que raio é que eles estariam a falar...

Percebi que tocaram uma música dos Delfins (nem me lembro qual, acho que recalquei), e que tiveram o condão de a tocar quase tão mal como os próprios. Fora isso, nada mais.

Acabado que foi, pelo menos para mim, aquele martírio, finalmente o clima aquece quando se percebe que a entrada dos Xutos em palco está eminente.

Fui a correr para me aconchegar junto às peninhas do Mocho, pus as mãos na sua cinturita, encostei-me às suas costinhas e assim ficamos, juntinhos e a saltitar até ao fim do concerto que durou quase duas horas – os Xutos não brincam em serviço.

Do desfile com que nos brindaram destaco aquelas que mais gostei de ouvir: «o mundo ao contrário», «aí se ele cai», «n’américa», «maria», «a casinha», «dá um mergulho» e «dia de são receber» (esta última música provoca em mim um estranho efeito furacão que me faz dançar tresloucadamente sem parar um único segundo, se quiserem ouvi-la enquanto estão a ler este post, basta ligarem o som).

No final eu e o Mocho já estávamos mais para lá do que para cá e a Vespa, fresquinha que nem uma alface, continuava a debitar letras de músicas incessantemente e de asas no ar a aplaudir tudo e mais alguma coisa, com os olhitos a brilhar de tanta satisfação !!!!

No final um encore de mais 15 ou 20 minutos, sempre com a Vespa a bombar (ao ponto de, já no final, eu e o mocho que já estávamos sem pedalada para tanto gás, começarmos a gritar «CALEM A VESPA», «AMARREM A VESPA»), a banda despediu-se de todos atirando as t-shirts que envergavam aos fãs que estavam mais junto do palco.

Depois foi o regresso a casa com o sabor de mais um momento especial partilhado.

Uma noite que significou um verdadeiro XUTO no tédio e um PONTAPÉ na vulgaridade...

Parabéns Xutos.

Obrigada Mochinho pela reportagem fotográfica e pela cedência da fotografia.

Caracol Repórter X

sábado, julho 16, 2005

« Já Vai .... »


Pois é, ontem o dia começou benzinho ... os planos incluíam um início de manhã desportivo, sim porque de manhã é que se começa o dia. Mas a realidade revelou um surpresa muito maior.

Acordei á hora habitual e segui o ritual de aprumo diário. Ao calçar a última das duas sandálias ali estava ele já ao meu lado, com aquele ar dengoso que tão bem sabe fazer quando quer conquistar uma ida à rua que é inteiramente sua por direito. É impressionante como ele sabe quando chega a hora de o levar a passear, e ontem não foi excepção. Disse-lhe o que digo sempre para ele refrear aquela ansiedade do xixi matinal mas qual quê ... é vê-lo de roda de mim aos saltos e a ladrar naquele tom de desafio.

E lá fomos os dois fresquinhos e cheirosos numa manhã que já deixava transparecer uma luz que estampa na cara de qualquer pessoa um sorriso rasgado.

Elevador connosco, rés do chão marcado, e ai vamos nós a toda a velocidade, nada de novo se, quase a chegar aos rés-do-chão, o elevador não tivesse parado abruptamente a meio da viagem sem chegar ao nosso destino, para nossa grande surpresa e admiração. E parou, para nosso azar, no pior sítio. Nada de ficar entre andares, não, o elevador devia querer mesmo testar a nossa resistência e, em frente a uma parede totalmente fechada que antecede a chegada ao rés do chão, apenas nos deixou uma nesguinha de uns 30 cm para ver a luz do dia ... assim que a geringonça parou o meu cão Freud olhou para mim com aquele ar que só ele tem como que a dizer: «então? Não abres a porta????»

E eu, com o corpo ainda a reagir fisiologicamente àquele contratempo, disse-lhe: «FREUD, FICÁMOS PRESOS NO ELEVADOR....!!!!», ao que ele me respondeu com um abanar intenso de cauda como se eu acabasse de lhe dizer que tinha ganho o Euromilhões.

Ainda tentei o truque do botão de STOP que já me salvou em situações de clausura menos graves que esta, mas desta vez, e para aumentar ainda mais o meu sufoco, nem sequer fez com que o raio do elevador de movesse um milímetro.

Quando dei por mim já estava de dedo colado ao botão do alarme que fazia soar uma sirene que, para minha esperança, se deveria ouvir tão bem fora como eu ouvia dentro do malfadado elevador. Mas lá largar o botão é que eu não fui capaz, era carregar a toda a força na esperança de ouvir uma voz do outro lado que significaria o caminho da liberdade.

Que bom, eram 8.30 da matina, a senhora que está encarregue da vigilância do prédio está de férias e só sobrava a outra senhora que faz a limpeza que deve perceber tanto da mecânica de elevadores como eu percebo da cozinha tradicional do médio oriente.

E o cão ali estava, sem perceber porque carga de água esta viagem de elevador estava a demorar tanto tempo. Por momentos convenci-me que ele pensou que estávamos a atravessar o centro da terra e que íamos fazer xixi à Nova Zelândia.

Percorro rapidamente a minha lista de contactos memorizados naquilo que ainda restava da minha capacidade mental e concluo rapidamente que ninguém estaria em casa àquela hora.

Ligo à minha querida Vespa (haja uma coisa boa, no elevador o telemóvel tem rede) que é a correspondência feminina do grande e saudoso MCGiver (grandes anos 80) que apenas com um canivete (que creio que nem era Suiço) desmantelava bombas e entrava nos sítios mais blindados e saia sempre com o cabelinho arranjado e sem uma única nódoa, e digo-lhe: «Ai mulher, estou aqui presa no elevador da minha casa». E ela, para meu contentamento disse-me: «daqui a nada estou ai, já vou a caminho...».

De repente, e porque ainda continuava a carregar no botão do alarme, pareceu-me ouvir uma voz do outro lado a dizer «jjjjjááááá vvvvaaaaaiiiiii....», era a senhora da limpeza que já tinha detectado o meu estado de histeria generalizada.

Oiço-a a desligar o comando do elevador e de repente as luzes apagam-se e apenas sobram as luzes de presença. Eu e o bicho ficámos na penumbra, apenas iluminados por aquelas luzes que transformavam as nossas silhuetas em esboços de um qualquer desenho.

Quando ela volta a ligar o comando do elevador, o raio do aparelho teve a mesma reacção que o George Michael teria ao ver a Angelina Jolie toda nua: nenhuma !!!!

Já tinham passado mais de 10 minutos e eu ali mais o desgraçado do Freud.

Foi ai que eu perdi o que restava do meu, já pouco, controlo ... «eu quero sair daqui, tire-me daqui...» ... quando de repente oiço, do outro lado da porta do elevador, uma voz familiar: «Óh Dona Maria, vá lá buscar a chave e abra a porta do elevador....».

Era a Vespinha, que entretanto já estava do outro lado a comandar a operação de resgate.

Assim que conseguem abrir a porta do elevador, lá me pus de cócoras e lá vi o panorama que me aguardava, pela famosa nesga de 30 cm que o elevador decidiu gentilmente conceder-me, a Vespa de mãozinha estendida para me acalmar e a D Maria de vassoura na mão. Por momentos convenci-me que a mulher me fosse dar uma vassourada por já não me poder ouvir aos berros, como que a dizer «cala-te histérica....!!!!».

A Vespa, zelosa como é seu hábito, disse logo «passa para cá o Freud...», e lá foi ele em segurança, através da nesga do elevador para as asas da Vespa que o libertou a ele e à sua bexiga. E eu, lá continuei enclausurada. A vantagem de termos grandes amigos por perto é que eles sabem sempre o que dizer nestas alturas.

De repente vejo mais uma cabecita a chegar e a juntar-se às duas que já me eram familiares. Era uma das doces vizinhas do meu andar que ao chegar fez uma pergunta absolutamente desnecessária: «Então o que é que aconteceu????»

Apeteceu-me responder-lhe: «Nada, não aconteceu nada, fui eu que me fechei aqui dentro de propósito porque sou muito egocêntrica e queria muito chamar a atenção das pessoas sobre mim !!!!» ... contei até 10 e disse-lhe: «olá, está boazinha ???? foi o elevador que parou de repente e eu fiquei aqui fechada...».

Já lá iam 15 minutos... e eu pensava que a situação não podia piorar mais... mas enganei-me quando de repente a vizinha se sai com esta pérola: «oiça lá, porque é que não tenta enfiar aqui a cabeça neste buraco ...???? é que se passar a cabeça passa o resto....».

Apesar de ela ser um doce de senhora e absolutamente prestável, convenci-me por momentos que estaria em pleno estado delirante e que me imaginava a trabalhar no Circo Chen, num qualquer número de contorcionismo rodeada por meia dúzia de coreanas... fiz de conta que não ouvi e continuei agachada à espera de uma ideia que fosse realmente digna desse nome.

Eis quando a mesma vizinha que tinha estado a alucinar há uns segundos antes se lembra de se sair com esta: «oiçam lá, isto de porta aberta é que não vai para lado nenhum, vamos pegar na chavinha e fechar de novo a porta, desligamos e voltamos a ligar o elevador e a coisa pode ser que ande...»

A Vespa concordou, a D Maria também, e eu que já nem sabia bem se isso era bom ou mau, também disse que sim, de resto já não me restavam mais alternativas.

Quando vejo a porta a fechar-se tive outro calafrio ... as luzes apagam-se de novo ... acendem-se depois e .... o elevador começou a mover-se !!!!!

Finalmente ... sou puxada em direcção ao rés do chão mas, para minha grande surpresa, a aventura ainda não tinha terminado, passo pelo rés do chão e oiço-as todas contentes a celebrar a vitoria sobre o elevador mas, com grande espanto, não paro e sou sugada para a sub-cave ... já em desespero tento abrir a porta na garagem e não consigo e, como se o elevador tivesse vontade própria, sou de novo sugada, desta vez para cima. Passo de novo por elas já aos gritos «eu não consigo abrir a porta e isto não pára....», já tinha perdido o meu amor próprio e a vergonha e gritava num misto de terror e desespero ... ai vou eu non stop até ao 12º andar, numa penada e sem ter tempo sequer de reagir ... chegada ao último andar o elevador decide ceder e eu abro a porta com a satisfação natural de quem se vê fora deste imbróglio.

Desci a pé os quatro andares até minha casa com a sensação de que tinha acabado de correr a meia maratona de Lisboa...

O reencontro com a Vespa e o Freud foi feliz, e ainda tive oportunidade para recusar gentilmente o chazinho de tília que a vizinha envolvida na operação de resgate me quis oferecer. Agradecimentos feitos, segui caminho para o dia que me esperava.

Para quem estava a pensar começar o dia com uma ida à piscina para uns momentos relaxantes de natação não estive nada mal.

Quando o sorriso voltou à minha cara, o que, para quem me conhece, sabe que não é difícil, pensei no dia bom que me esperava e no final da noite com o concerto de Xutos ... mas isso fica para outras núpcias ...

Caracol Enclausurado

quinta-feira, julho 14, 2005

« Afundação » ...


Foi anunciado, no início do mês, pela mão do Presidente do Conselho de Administração da Fundação Gulbenkian, a extinção IRREVERSSÍVEL da companhia de Ballet dessa instituição, que, por acaso, já contava com uns respeitáveis 40 anos.

O fim da companhia foi enquadrado num panorama de reestruturação - adoro a palavra «reestruturação», esta palavra tem o seu equivalente no mundo do vestuário ao saudoso «vestido preto» da ainda mais saudosa Ivone Silva. Dizia ela, na altura, qualquer coisa do tipo: «com um simples vestido preto, eu nunca me comprometo». O mesmo acontece com as reestruturações. Basta usar-se esta palavra para todos ficarmos de boca aberta a sermos apanhados desprevenidos e sem sabermos bem, nem como nem por onde começar a reagir.

Pode haver quem pense: ora então mas para que é que uma Fundação como a Gulbenkian há-de estar para aqui a sustentar estas mariquices ???? Parece-me muito natural, até porque se trata apenas de um grupo de raparigas com umas sainhas esquisitas e uns rapazotes com um ar muito suspeito com uns collanzinhos apertados que andam para ali aos pulinhos em cima de um «palanque» ... não é ????

Até pode ser para quem não saiba que, para se poder chegar onde eles chegaram são necessários muitos anos de trabalho empenhado. Muitas horas de prática que requerem uma capacidade física e uma concentração acima da média. Muito esforço, suor e lágrimas. Muito amor. E como em tudo aquilo que é feito com amor, a compensação ou a frustração são directamente proporcionais ao empenho e ao afinco do trabalho diário.

Parece-me perfeitamente lógico que, num país como o nosso, se continuem a gastar milhões larguíssimos de euros muitos deles vindos directamente dos cofres do estado (ou, por outras palavras, dos nossos bolsos) em anedotas pegadas como sejam o caso: dos estádios de futebol – uns deles a serem utilizados meia dúzia de vezes por ano, como o estádio do Algarve; em submarinos, que dão um jeitão a qualquer português que more na outra banda para atravessar o rio em dias de greve da Transtejo; em operações militares de treino das forças armadas com nomes tão pomposos como «operação rato mickey» em que se vêm meia dúzia de marmanjos, com um bom cabedal para irem limpar umas matas afim de se evitarem os incêndios que nos devastam todos os anos, a brincar aos barquinhos e aos aviões e a dizerem para um walkie talkie coisas tão interessantes para a estratégia militar cá do burgo como: «alô rato mickey, daqui fala o pato donald ...escuto...», e numa série de outras barbaridades que nos fazem cair o queixo quase ao chão quando somos brindados com os noticiários.

O que não há, no meio disto tudo, é lugar para o trabalho sério, que projecta com orgulho, e pela melhor via possível, o nome de Portugal no mundo. Se calhar é porque já nos acomodamos ao estatuto de cauda da europa, a sermos os coitadinhos, os pobretanas. Já nos habituámos a estar só em primeiro lugar apenas ao nível do consumo de álcool, violência doméstica, violência e ausência de legislação sobre os direitos dos animais, maus tratos em prisões e por ai adiante.

Olhando para o site da Fundação lê-se que se trata de uma Instituição de utilidade pública com diversos fins, entre eles a Arte ... bem, apesar de não ser uma expert, muito longe disso, acho que o Ballet é uma arte. Muito nobre por sinal. O problema é que com o fechar desta porta muita gente vai engrossar ainda mais as fileiras dos desempregados neste já tão pobre panorama cultural. Se existem valores, se existe vontade de trabalhar, se continuamos a ver profissionais empenhados porquê então fechar esta importante porta ??

Exceptuando as honrosas excepções que se foram manifestar junto à Gulbenkian, onde estão os restantes políticos e responsáveis governamentais nestas horas para nem sequer mexerem uma palha no sentido de pressionar e dissuadir decisões incompreensíveis como estas ????

Devem estar a fazer aquilo que melhor sabem fazer ... quase nada.

Caracol Dançarino

quarta-feira, julho 13, 2005

Então e Agora ... ????????

Nunca ninguém disse que isto de se ser CARACOL era uma coisa muito fácil...


Caracol Confuso

terça-feira, julho 12, 2005

O Direito à Diferença ...

Sempre gostei de pessoas. De as ouvir, de estar e falar com elas. Sempre gostei até de pessoas de quem mais ninguém gostava. Sempre me atraíram aquelas pessoas que não se situavam na mediania, que não falavam de coisas banais só porque estão na moda.

Aceito e respeito mas incomoda-me pensar que existem pessoas que vestem, vêem, ouvem ou lêem isto ou aquilo só porque toda a gente o faz. Pessoas que acham que há uma idade para se fazer isto ou aquilo. Que vão a correr casar-se, mesmo correndo o sério risco de serem infelizes, porque têm medo de ficar para «tio(a)s», como se nós fossemos comparáveis a uma lata de feijões que perde a validade de um dia para o outro. Pessoas que olham para tudo o que os outros vestem de fio a pavio mas se esquecem de dar “os bons dias”... e outros que tais.

Lembro-me que uma das minhas maiores amigas da adolescência, com quem me recordo de meter conversa para a tentar conhecer, me chamou na altura a atenção porque toda a gente a achava antipática e esquizóide porque naquela altura, em 1983, ela se vestia tipo punk e usava um alfinete de AMA (obrigada IM...) na orelha.

Não descansei enquanto não fui ter com ela e não me arrependi. Por detrás daquelas roupas e a emoldurar aquele irreverente brinco de alfinete de AMA (obrigada IM...), escondia-se uma das pessoas mais criativas, meigas, interessantes e sensíveis que já conheci.

Cada vez menos acho que faça sentido que se ostracizem as pessoas apenas porque não fazem, não dizem, não sentem, nem pensam da mesma maneira que nós.

Conto-vos isto porque hoje, numa saída matinal para comprar o habitual bolo numa pastelaria que os fabrica divinalmente bem, à saída, e já de bolo na mão, dei de caras com um homem, dos seus quarenta e muitos anos, numa rua em pleno coração de Lisboa, a pavonear-se todo vestido de Batman. Ele era sapato com um tipo de perneira preta que subia até ao joelho, fato cinzento com a celebérrima inscrição do morceguito a preto num fundo amarelo, com direito a máscara com orelhitas e tudo e com uma capa em forma de asas pretas.

Ainda pus a hipótese de ser alguma coisa que tivesse a ver com a publicitação do filme (que, segundo creio, já estreou há alguns dias), mas o fato pareceu-me demasiado artesanal para que o que acabei de ver pudesse ascender à categoria de manobra publicitária. Ele, de facto, não estava nada com ar de quem estivesse a fazer aquilo por dinheiro. Apetecia-lhe e pronto.

Apetecia-lhe ser super herói e era mesmo. Vinha com o ar mais compenetrado do mundo e sempre que alguém olhava para ele era vê-lo a abrir as “asas” que lhe serviam de capa, numa espécie de dança nupcial que o fazia levantar os tornozelos do chão e flectir ligeiramente a cabeça para a frente em jeito de saudação.

É claro que eu, por defeito profissional e por ser uma eterna apaixonada pela observação e estudo do comportamento, fiquei a observá-lo até ele desaparecer do meu campo visual. Era fabuloso vê-lo. Não se metia com ninguém, não era malcriado, não gritava, nem falava. Sorria apenas. E passeava-se, orgulhoso na sua fatiota de super herói, como se o encarnar daquela personagem fabulosa o tornasse imune a todas as provocações e aos risos de alguns transeuntes.

Vou lembrá-lo por muitos anos. Disso tenho a certeza. Ele em mim nem sequer reparou. Se calhar é porque eu sou demasiado igual à generalidade das pessoas... ainda assim Sr Batman, foi um prazer cruzar-me consigo.

Caracol Super Herói

segunda-feira, julho 11, 2005

Tou Que Não Posso ...

Hoje, ressalvando as respectivas diferenças, sinto-me mais ou menos assim ...



Este fim de semana foi bom, muito bom, divertido, cheio, alegre, muito emotivo, com muita cor, companhia dos amigos do costume, mas foi puxado, estou, por isso, espapaçadamente feliz ...

Hoje, depois de almoçar, fiquei com a sensação de que carregava um peso de 50 kilos em cada pálpebra e até tive medo de me recostar na cadeira do restaurante sob pena de adormecer nos 5 segundos seguintes e me começar a babar como o Homer Simpson – dono do fio de baba mais famoso da história da animação...

Por isso o dedo hoje arrasta-se nas teclas, mas, ainda assim, a vontade de vir aqui deixar um post falou mais alto ... por isso ...

Caracol Ensonado

sexta-feira, julho 08, 2005

A Minha VESPA ...


Tenho 35 anos de idade e sou Vespista assumida. Conduzo pelas ruas desta linda Lisboa o veículo de duas rodas mais charmoso e ternurento do mundo.

Juntamente com a minha GRANDE AMIGA, Vespinha (http://vespinha.blogspot.com/) que, para fazer jus ao nome, também pilota orgulhosamente a sua Vespa, de nome Matilde, desbravamos aos fins de semana kilometros de estradas com o ar mais satisfeito do mundo, sempre a sorrir, porque é impossível não se sorrir quando se conduz semelhante veículo.

A Vespa é uma mota com história, e faz parte integrante do mundo das duas rodas, com inteira justiça.

Não há melhor maneira de começar o dia do que subir para aquele assento, carregar no botão da ignição e ouvir o poc, poc, poc, poc, do seu motorzinho a funcionar ... sair da garagem com um ar de que todo o mundo é nosso e contornar, um por um, as dezenas (largas) de carros que estão fastidiosamente em filinha indiana à espera de melhor sorte, do que aquela a que são votados ao terem que estar aos minutos largos sem sair do mesmo lugar.

No caminho matinal, o desfilar de sensações é enorme, tudo parece diferente sem as barreiras que representam os vidros do carro. As pessoas que andam na rua, as pessoas que estão dentro dos carros, os barulhos, os semáforos, as vozes, as cores, os cheiros, as casas, a luminosidade, enfim, todos os sentidos estão mais vivos e a natureza deixa vislumbrar na plenitude a sua paleta de cores.

E a minha viagem prossegue a bom ritmo, um ritmo compassado, sem pressas, sem stress. Porque a Vespa representa totalmente a filosofia do «devagar se vai ao longe», sempre na sua calma, as ruas e avenidas são rompidas do princípio ao fim, sempre ao som do poc, poc, poc, poc do motor, que me acompanha e parece já fazer parte de mim.

Deixo-me levar por ela, sem me dar conta que é por minha causa que se desloca ...

O vento bate-me na cara e trás com ele o cheiro da terra molhada e da erva acabadinha de ser refrescada pela água num qualquer jardim... e o que eu gosto do cheiro da terra molhada ... sorrio de novo, se é que por algum momento deixei de sorrir desde que sai de casa, e continuo... reparo que estou quase a chegar e penso como o tempo passou depressa ... time flies when you’re having fun ...

Tudo nesta mota me fascina ... o modelo em si, o barulho do motor, os acessórios, a posição de condução, o famoso “aventalinho” que faz que as meninas a possam conduzir à vontade, mesmo de saia ... é a mota mais unissexo do planeta e arredores.

Tive o privilégio de ir, com a minha Grande Amiga Vespinha, ao EUROVESPA 2004, o grande evento que reuniu em Lisboa no dia 11 de Julho de 2004 Vespistas de toda a Europa e de todas as idades. E que bom foi ver alguns casais com mais de 60 anos orgulhosamente sentados ao volante da sua mota, a deixarem-se fotografar com o ar mais ternurento desta vida, juntamente com os seus filhos e os seus netos, todos Vespistas.

Foi uma das experiências que seguramente vou guardar até aos fim da minha vida. Éramos larguíssimas centenas e invadimos Lisboa com motas de todas as cores e com modelos dos mais antigos aos mais recentes. Fomos a desfilar orgulhosos da Torre de Belém até à Expo, e por onde passávamos a alegria era contagiante, e as reacções dos transeuntes espelhavam a beleza que a mota deixa transparecer.

Foi um dia descontraído, divertido, sem pressas, alegre, risonho, leve, inesquecível, único e do mais ternurento que pode haver, um dia de paz.

Porque esse é o espírito dos Vespistas.

Caracol Vespúcio

quinta-feira, julho 07, 2005

Apelo


Hoje, e sempre, é nossa obrigação fazer e divulgar o bem e contribuir para causas nobres. Causas em que se empenham pessoas anónimas porque ainda acreditam que podem melhorar a vida dos que os rodeiam.

É bonito saber que continuam a existir pessoas que prescindem de parte do seu tempo para se empenharem em tarefas que visam o bem estar dos outros, tarefas que, a pouco e pouco, se vão constituindo em verdadeiras cruzadas ... um trabalho muitas das vezes «invisível» mas altamente meritório e digno da maior consideração e divulgação.

Por essa razão, solicito-vos, que divulguem, o mais que puderem, o nome da Associação de Protecção aos Cães Abandonados – Canil de São Pedro de Sintra, que precisa de ajuda e de voluntários para os cerca de 180 cães que acolhe neste momento.

Este pedido veio pela mão de uma amiga “blogueira” mas já especial, que lá faz voluntariado e que já “amadrinhou” uma linda cadelinha de nome Bárbara.

Basta acederem ao site através do link
http://www.apca.org.pt/ e lerem tudo sobre a Associação, formas de contribuir, possibilidades de adopção de um «menino» ou de uma «menina» que lá estão, ansiosos por um novo lar. Os contactos estão no site, é só ir lá espreitar.

Convido-vos, então, a todos a lá darem uma saltada, divulgarem pelos vossos contactos e a ajudarem no que, e com o que, puderem.

Tudo de bom minha querida, IM., e que a vida te devolva em dobro tudo aquilo que de bom tu fazes.

Beijo

Caracol Associacionista

quarta-feira, julho 06, 2005

A Minha Avó «Zeca»


Hoje apetece-me falar de saudade. Não aquela saudade que se sente quando nos separamos temporariamente de alguém, mas aquela saudade que leva consigo um pedacinho do nosso coração.

Apetece-me hoje, não por ser uma data especial mas porque todas as datas são especiais para falarmos daqueles que amamos muito. Das pessoas que transportam consigo o amor na sua forma mais pura, das pessoas que vêm a este mundo só com um intuito: o de fazer os outros felizes.

Era assim a minha avó. Mãe da minha mãe, minha mãe duas vezes ...

E eu, que ainda sou do tempo em que a imagem de todas as avós cabia naqueles padrões que não abundam hoje em dia, recordo a minha avó com saudade ao deparar-me com estas avós modernaças, cheinhas de madeixas e com um visual de fazer inveja a muita trintona como eu !!!!

A minha avó «Zeca» (como eu babosamente lhe chamava) tinha o cabelinho branco e encaracolado, que moldava um rosto que para mim era um dos mais belos do mundo, um rosto marcado pela passagem do tempo, que lhe fez nascer umas rugas que faziam daquela cara uma daquelas em que mais me apetecia depositar toneladas de beijos.

Lembro-me de lhe dizer que ela tinha «sobrancelhas de peluche», de tão macias que eram e do deslizar dos meus dedos ao longo daquela penugem de algodão. O sorriso era franco e fazia-se contornar por uns lábios finos. Os olhos eram castanhos, um castanho escuro que se tornava único e ainda mais bonito por colorir os olhos dela.

Desde que me lembro de mim que me recordo dela, com as suas mãos fortes e seguras mas que se tornavam delicadas e suaves quando me tocavam. Lembro-me das corridas que dávamos à volta de uma mesa redonda e de me rir à gargalhada só com aquela brincadeira. E de adormecer ao seu lado. Lembro-me de lhe pedir para me fazer cola com farinha porque a cola da papelaria tinha acabado e eu queria (porque queria) acabar de colar os meus cromos. Lembro-me do carinho com que ela acolheu um cão de caça que eu encontrei abandonado junto à praia (a quem pusemos o nome de «Vigia» porque ele estava sempre com um ar de quem procurava alguma coisa). Lembro-me dos seus braços que me enroscavam em abraços de conforto e de riso. Lembro-me de a ver a fazer crochet e tricot e lembro-me das almofadas lindas que fazia (recordo em particular uma que ela fez em forma de girassol). Lembro-me do tom da sua voz e dos aventais que usava quando cozinhava. Lembro-me de que o único dia em que ela não dispensava um dia inteiro de televisão era o dia do Natal dos Hospitais. Lembro-me de gostar de lanchar junto a ela, as duas sentadas nos degraus que davam para a cozinha. E de lhe dizer que ela era a avó mais bonita do mundo.

E era, de facto, a avó mais bonita do mundo.

O tempo passou, e nós passámos por ele, separadas pelo tecto, mas juntas pelos afectos e pela vida fora, com a cumplicidade que só um grande amor consegue.

O tempo passou ... e num dos primeiros dias do terceiro mês do ano de 1988, eu despedi-me dela, como fazia sempre que estávamos juntas, com um abraço forte e um beijo repenicado. Um beijo que nada teve de diferente de todos aqueles que eu sempre lhe dera. A não ser o facto de ter sido o último.

E porque todos os dias me lembro dela, quis hoje lembrar-me dela convosco.

Caracol Saudoso

segunda-feira, julho 04, 2005

A Racionabilidade dos Irracionais ...


Esta é a história de uma foca. Não a da foca que aparece na imagem mas isso agora também é só um pormenor.

Não percebi o seu nome, se bem que me parecia importante, porque o nome é a nossa identidade e ela também merece inteiramente ter a sua, por isso, a ela, as minhas desculpas.

Foi encontrada em Peniche e levada em boa hora para o Zoomarine onde a trataram e cuidaram, com todo o carinho e dedicação, como, felizmente, é prática comum, e lhe retiraram do estômago um anzol que tinha engolido.

Não se sabia se sobreviveria mas, nesta que é mais uma história de luta, a vontade de viver, a força da vida, falou mais alto e ela vingou. Hoje nada feliz e contente num tanque que, temporariamente, lhe limita os horizontes.

O bonito neste relato, para além do empenho dos funcionários do Zoomarine, é que ela vai ser posta em liberdade no mar alto, onde a única barreira que a vida lhe imporá será a sua vontade de parar de nadar.

Ao ouvir, encantada, mais esta história com um final feliz, detive-me numa frase que disse o biólogo que a acompanhou e que me fez ir a correr pegar numa caneta e escrevê-la num papel para pensar sobre o que tinha acabado de escutar.

Muito embora perceba inteiramente bem que a frase foi dita com a melhor das intenções, para a protecção da foca, para a fazer ganhar autonomia, o seu alcance ultrapassa em larga escala o caso em análise e serve para nos fazer reflectir, e muito, sobre a nossa relação com os animais e sobre a deles connosco. Enquanto falava, o biólogo disse: «(...) durante este tempo tivemos que ensiná-la a ter medo dos humanos (...)».

Não vos queria dar uma grande seca acerca da minha paixão assolapada por todos os animais ... mas vai ter que ser !!!!

Esta frase deixou-me a pensar, mais uma vez, em como ainda temos grandes lições a aprender com estes a quem, carinhosa e ingenuamente, chamamos seres irracionais.

Irracionais são aqueles que os chacinam por peles e outras partes do seu corpo a quem alguém decidiu atribuir valor, e à custa dos quais ganham rios de dinheiro; irracionais são aqueles que os maltratam porque, na maior parte dos casos, eles não se podem defender e pior, não podem falar, nem acusar; irracionais são os que os capturam barbaramente; irracionais são os que os transportam em condições indescritíveis; irracionais são os que os matam por desporto; irracionais são os que os abandonam, lhes batem, os matam à fome e à sede; irracionais são os que descarregam neles as suas frustrações; irracionais são os que deixam de os amar só porque estão velhos, doentes e cansados; irracionais são os pactuam por cobardia, sem tomarem medidas concretas a favor dos direitos daqueles que nunca nos abandonariam se fossem eles os nossos donos.

E ainda bem que eles são «irracionais», caso contrário seria fácil demais ensiná-los a recearem (alguns) humanos ... bastava contar-lhes algumas histórias ou pô-los em frente à televisão a assistir a alguns programas ...

Os animais não têm medo dos humanos porque confiam. E são os humanos, supostamente os seres «racionais», que lhes traem a confiança, que os fazem acreditar e depois lhes puxam o tapete.

Esta foca não receia os humanos porque sabe reconhecer quem lhe quer bem, quem a cuida, quem a mima, quem a alimenta, quem lhe trata as feridas, quem lhe tem amor.

Assim muitos humanos soubessem fazer o mesmo ...

Caracol pelos DIREITOS DOS ANIMAIS

sexta-feira, julho 01, 2005

Os «Subsídiodependentes» ...


É vê-los por aí em cada esquina ... no café, no supermercado, debaixo de uma árvore, na praia, no centro de saúde, no centro comercial, enfim ... em todo lado menos em qualquer sítio onde os possam convencer a trabalhar !!!!

Mas, dentro do espírito que representa o viver à conta dos nossos descontos, não os posso criticar. Se podem receber para não fazer nenhum, porque raio hão-de eles sequer ousar trabalhar para o fisco lhes meter a unha ao bolso e ir, com esse dinheiro, sustentar outros que passam o dia inteiro “a coçar micose” ????

Eu, felizmente tenho o prazer de observar, ao fim de semana e só ao fim de semana - sim porque EU trabalho – alguns desses espécimes ...e devo confessar que já tenho quase uma pós graduação em subsídiodependência ... o que aqueles tipos têm que saber ... foi precisamente ao conhecê-los melhor que comecei (QUASE) a admirá-los ... é que um gajo viver à conta do estado (ou, de nós) requer uma constante actualização de conceitos e um imenso jogo de cintura.

Ficam aqui resumidas as 6 regras básicas de um subsídiodependente :

Regra número um: ser jovem e gostar dos tempos livres;

Regra número dois: nunca ter menos de dois filhos. Sim porque isso de ter só um filho é bom é para quem trabalha e que anda sempre a dizer que se vê grego para sustentar o único filho que tem... o lema do subsídiodependente é: «(...) isto meus senhores, tudo se cria, é preciso é que venham perfeitinhos... onde comem quatro comem cinco ... e sempre são mais uns euros por mês em subsídios (...)» há sem dúvida que ter visão estratégica...;

Regra número três: falar o mais alto possível, que um gajo que anda nesta vida dos subsídios tem que publicitar as suas façanhas ... não convém é abrir muito o jogo não esteja por perto algum caçador furtivo que ainda não conheça uma ou outra regra e se vá fazer também a algum subsídio que até à data desconhecia... neste mundo da subsídiodependência, o segredo é a alma do negócio ... partilhas, só com os amigos do peito.

Regra número quatro: queixar-se muito. A vida dum subsídiodependente é um mar de lamúrias, um oceano de choradinhos, uma vastíssima desgraça, um ilimitado queixume, um infinito carpir. Entre um cigarro, um café e um berro ao filho de quatro anos que, entretanto, anda solto pela rua há mais de 10 minutos, é ouvi-los a lamentarem-se... «vejam só... uma coisa que se resolvia só com um papel, agora obrigaram-me a ir a outro balcão buscar mais um formulário ... estes sacanas devem pensar que tenho o dia todo pr’andar nestas voltas».

Regra número cinco (a minha preferida): saber tudo o que há para saber sobre números de impressos, guias, requisições, credenciais e afins. Um subsídiodependente que se preze informa-se, actualiza-se, procura, pergunta, investiga, anota, confirma, experimenta. Uma das coisas que mais gozo me dá é observá-los naquilo a que vamos designar por «troca de experiências» (troca de experiências com os «amigos do peito», é claro!!!!, vide regra número três). Assim que um experimenta um serviço novo, do qual desfruta, obviamente, sem pagar um chavo, toda a papelada que o levou a obter esse benefício fica gravada na sua memória qual pintura rupestre. Os subsídiodependentes tornam-se então veículos privilegiados de registos de subsídios, verdadeiros repositórios de informação de fazer corar qualquer Pentium 4.

Regra número seis: um subsídiodependente fuma em quase 90% dos casos e tem que gostar de poder comprar tabaco à conta dos contribuintes. Até porque toda a gente sabe que o tabaco mata e, por isso mesmo, o subsídiodependente não gasta o dinheiro ganho com o suor que lhe escorreu da pele a comprar um produto que o prejudica. Assim fuma-o à conta dos papalvos e não lhe pesa tanto a consciência;

E nós, meros «peões da classe operária» olhamos estupefactos para as notícias da televisão e percebemos que temos que continuar a alimentar, cada vez mais, com o dinheiro que nos levam todos os meses, toda esta máquina que não nos dá nada a nós. Sim porque ninguém nos pergunta se queremos fazer descontos para o estado. A única coisa que sabemos, seguramente, é que estamos desgraçados se precisarmos da justiça, dos hospitais, dos serviços das finanças, da segurança social, da polícia, das câmaras e dos outros todos.
Quer dizer, todos estes serviços do estado chegam a nós ... aparecem é sempre tão tarde ... usualmente quando já não precisamos deles para nada...

E enquanto uns se revoltam, outros regalam-se e coçam a barriga... porque têm muito tempo para isso.

Caracol Subsídioanalista

quinta-feira, junho 30, 2005

Nocturno















Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento ...

Como um canto longínquo – triste e lento –
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração, que tumultua,
Tu vertes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da noite, e mais ninguém !

Antero de Quental

Caracol Noctívago

quarta-feira, junho 29, 2005

O meu Cão ...


Fui dar contigo por acaso num dia em que pensava em tudo menos encontrar-te. O calor puxava-me para a sombra, e para ti, mesmo sem o saber.

Quando te vi pela primeira vez já estavas em boas mãos, nas mãos que primeiro me abraçaram, nas mãos de quem me deu a mim a vida. E que bem que estavas, parecia até que sorrias. Mas sim, sorrias mesmo, sorrias para mim como se soubesses que nunca mais nos íamos separar. Sorrias para mim como se já me adivinhasses todos os pensamentos, como se já pressentisses que era contigo que queria ficar. Como se já me conhecesses, como se sempre me tivesses conhecido.

Assim que te peguei ao colo soube que sempre foras meu ... cabias-me na mão, de tão pequenino que eras. Moldaste-te à minha mão. Moldaste-te a mim. Senti-te seguro. Dei-te festas na esperança de te poder fazer sentir tão bem como tu já me estavas a fazer sentir a mim ... recebeste-as como quem recebe algo completamente novo e eu sorri, e voltei a sorrir sem conseguir parar ao sentir que a partir daquele dia não ia mais deixar que nada de mal te acontecesse.

Lembro-me do homem que te trazia, lembro-me do desapego com que esticou a mão e me disse que te podia trazer porque ele tinha muitos iguais a ti... era um tonto aquele homem ... como se houvesse outro igual a ti !!!!

Lembro-me quando te apercebeste que o espaço de casa não ia ser só partilhado por nós dois... lembro-me de ter assistido ao primeiro olhar que vocês, dois dos grandes amores da minha vida, trocaram ... lembro-me da alegria que foi, das lágrimas de emoção que rolaram, dos pulos de alegria ... e dos minutos que ambos passávamos a contemplar-te... como se só tu existisses. E nada mais.

Lembro-me das visitas dos amigos ... foi um vai e vem de «tias» e «tios», todos a trazerem-te prendas e a apaparicar-te e tu, que mal davas meia dúzia de passos sem adormeceres, de pequenino que eras, chegavas a todos os carinhos e nunca desapontavas ninguém ...

Lembro-me de te desfazermos os granulados que comias em água porque nem sequer tinhas dentes para os mastigar e de comeres aquela papa esmagada por nós com a mesma sofreguidão com que a terra absorve a água das primeiras chuvas, como que a dizeres que querias viver para nos fazeres muito felizes.

Lembro-me dos teus xixis que povoavam a casa ... tantos e tão pequeninos, que pareciam gotinhas de chuva.

Lembro-me das primeiras vacinas, da primeira ida à rua, e da primeira vez que as almofadinhas das tuas patas sentiram a areia da praia ... como correste... correste como se o mundo todo se resumisse àquele areal, e tu estivesses a perscrutar cada continente, com a minúcia de um qualquer explorador.

Vi-te crescer e partilho contigo o privilégio de seres meu, há três anos, vividos sempre com a intensidade que tu pões em tudo aquilo que me dás.

Não falas. Nem precisas. Dizes-me tudo aquilo que queres e sentes-me antes de entrar pela porta. Conheces o meu cheiro. A minha voz, consegues distingui-la em todo o lado. Brincas comigo e fazes-me recordar tempos em que me rebolava no chão a rir à gargalhada de uma piada que só eu entendia. Como brincamos e nos divertimos os dois até ficarmos de língua de fora de tão cansados de pular e saltar. Como me desafias. Como aprendeste tudo. Como me ensinaste ...

Por isso, meu amigo de todas as horas, conto sempre contigo para me espelhares os sorrisos e me lamberes as lágrimas.

Adoro-te meu Cão.

Caracol Reconhecido

segunda-feira, junho 27, 2005

Queres-te Reformar???? Tem Calma, Só te Faltam 20 Anos para os 65 ...


Por vezes dou por mim a pensar porque raio é que vamos votar ... culpa minha porque sempre que há eleições vou sempre a correr lá pôr o voto ... com um ar muito importante, como se eles quisessem saber de mim para alguma coisa...

Até nem me arrependia, não fosse ver que, de facto, a política é a «ocupação» - não uso a palavra «trabalho» propositadamente – que melhor serve os interesses daqueles que : gostam de ter uma boa «ocupação»; têm muitos amigos a quem dar «emprego» (de notar que «emprego» significa, em termos de dispêndio de energia, mais que «ocupação» mas menos que «trabalho», sim porque para trabalhar estamos cá nós!!!!; gostam de dar espectáculos de mau comportamento no Parlamento a rirem-se na cara daqueles que estão a falar (pelo menos, a mim, os meus pais ensinaram-me que isso é falta de educação ...); têm défice de atenção, sim porque nas imagens que exibem do Parlamento, enquanto 10% do total das bancadas escutam atentamente (ou então dormem de olhos abertos) aquilo que diz o orador, os restantes 90% estão na calhandrice ou a falar ao telefone - deviam, por isso, ter aulas de estudo acompanhado no sentido de diminuir o elevado índice de dispersão que apresentam; gostam de falar para microfones; não sabem o que é que hão-de fazer a tantas regalias que têm; aqueles que são putos com as fraldas quase agarradas ao rabo (alguns deles sem sequer serem licenciados, o que não deixa de ser curioso quando nos nossos dias quase que exigem uma licenciatura a um empregado de balcão) e que gostam de se armar em respondões com aqueles que lhes proporcionaram a liberdade para poderem ser malcriados sem irem bater com os costados a uma qualquer prisão ... enfim tudo isto e mais tudo aquilo de que me lembraria depois de assistir a mais 5 minutos de debate.

E esse é o lado perverso das campanhas eleitorais ... os gajos vão para as praças lambuzar-se com as beiças das peixeiras e os cumprimentos engordurados dos homens do talho, sujar-se com a baba das criancinhas nas quais insistem sempre em pegar ao colo, principalmente se por perto estiver algum fotógrafo ou alguma estação televisiva. E é vê-los, que nem peixe na água a distribuir sorrisos, aventais, bonés e ... em casos mais extremos, electrodomésticos !!!!

Depois assistimos a cenas irreais como aquela que a minha amiga «Lóla» tão bem conta ... em plena campanha o candidato generosamente distribui electrodomésticos à população que, à boa maneira da pedinchice portuguesa, o cerca e se esgadenha e acotovela por uma faca eléctrica, e, no meio desta confusão, diz uma senhora com um ar muito deprimido ... «olhe, muito obrigadinha pelo frigorífico que me deu ... agora só me falta ter luz em casa...» e o candidato responde, com um ar que denotava algum melindre e impaciência: «luz, agora querem luz ... vocês querem tudo !!!!!, uma coisa de cada vez ... ».

... e já gozas, até porque toda a gente sabe que os frigoríficos funcionam a pilhas.

Onde eu também gosto muito de os ver é nas visitas que fazem aos lares da terceira idade e das palmadinhas que dão nas costas dos velhinhos enquanto perguntam com a maior desfaçatez do mundo: «então?? como é que isso vai?? vai benzinho??». Vai muito bem muito obrigado, com as reformas de merda que lhes pagam vivem num desafogo ...trabalharam uma vida inteira para chegar à velhice e pensar se hão-de comprar o medicamento de que precisam ou se hão-de comer até ao fim do mês ... porque, na grande maioria dos casos, as duas coisas ao mesmo tempo é que eles não podem fazer, porque o dinheiro, pelo menos o deles, não estica. Vão muito bem, obrigado, com uma assistência hospitalar de primeira água e cuidados de saúde atempados, a maior parte deles, morrem da doença, ou da falta de cura. Vão muito bem obrigado, passam dias inteiros a jogar às cartas num qualquer banco de jardim porque não sobrou, nem uma moedinha de Euro2004, dos milhares de milhões que se gastaram a construir estádios, para construir centros de dia com actividades que os pudessem estimular para que não vissem os dias, simplesmente, a passar por si. Vão tão bem os velhinhos deste país, felizes e contentes, porque eles, como nós, têm muitas razões para isso.

Mas é disto que vemos aos magotes sempre que há campanhas eleitorais, um festim de exibicionismo, um discurso preparado ao pormenor, operações de charme à conta dos incautos que ainda acreditam que eles andam lá para fazer bem a alguém.

E agora lembraram-se de que vamos bulir até aos 65 anos ... parece-me uma medida muito inteligente até porque, como não fecham dezenas de fábricas todos os dias, o aumento do investimento em Portugal cresce a olhos vistos e há um emprego em cada esquina para todos nós, basta para isso que queiramos trabalhar... ATENÇÃO, não estou com esta do «emprego em cada esquina» a sugerir que nos dediquemos todos à prostituição, que as raparigas já se queixam que a vida para elas também anda má e não querem (mais) concorrência.

Sugeria então, que a nossa nobre classe política, começasse por se deixar contagiar por este espírito de Robin Hood, e se desfizesse de ainda mais regalias para que, neste cantinho à beira mar plantado, parássemos de tapar a cabeça e destapar os pés e vice-versa; para fazermos de Portugal um país de que nos possamos realmente orgulhar por tudo aquilo que ele nos dá e não termos só orgulho em ser Portugueses porque somos Vice-Campeões Europeus e temos um seleccionador Brasileiro que nos quer fazer acreditar que é por causa dele que descobrimos que devemos ter orgulho num país que lhe paga a ele, largos milhares de euros por mês ... assim também eu tinha muito orgulho de Portugal...

Caracol Comentador

sábado, junho 25, 2005

Querida, Mudámos-te a Sala ...

Pinturas

Pois é ... e quando pensamos que os MELHORES AMIGOS DO MUNDO não conseguem fazer mais nada para nos surpreender, eis que eles, mais uma vez, nos surpreendem ...
Foi mesmo isso que me aconteceu, faz precisamente hoje uma semana !!!!
Foi uma versão "mais bairrista" do Querido, Mudei a Casa ...
Passo a relatar os acontecimentos ... DONINHA, de seu nome (Dónas, para os mais chegados, ou, pelo menos, para aqueles a quem ele se deixa chegar) olhava insistentemente para as minhas alvas paredes (bem, tendo em conta que não eram pintadas ia para 6 anos, QUASE alvas paredes) com o olhar de perito qual cirurgião que sabe que não pode falhar um milímetro na incisão e comentava ... «já não estás farta deste «branquinho»????» ... sentia a palavra «branquinho» como quem sente um punhal a cravar-se-me nas costas ... era dita sempre acompanhada de um sorriso quase tão assustador como a entrada do saudoso Comboio Fantasma da ainda mais saudosa Feira Popular de Lisboa ... a seguir a esta famosa frase seguia-se o olhar de esguelha para os outros dois «cumplices» ... e o já famoso sorriso «à la doninha» !!!!
Cumplices ... pois porque uma obra desta envergadura conta sempre com mais que um cérebro ... dai que, a coadjuvar nas operações estavam um MOCHO e uma VESPINHA ... e que trio que eles formam ... de cada vez que o Dónas dizia a palvra mágica, o famoso «branquinho», era vê-los a sorrirem cheios de cumplicidade uns para os outros ....
Ora quem me conhece sabe que sou um CARACOL solidário, com bons princípios, que gosta de colaborar, dar uma mão e .... bem, OK, vou dizer a verdade, sou um Caracol obsessivo, nada pode ser feito sem eu me convencer que só corre bem se eu estiver a olhar !!!!
E foi precisamente por ai que eles pegaram ... e foi cá uma terapia para mim ... uma verdadeira terapia cognitivo-comportamental ... do tipo «queres sair de casa por favor (acho que esta parte do «por favor» foi meramente decorativa) para nós te fazermos uma «surpresinha» (outra palavra que me incomodou tanto!!!!!) e te remodelarmos a sala toda ???? (...) É que se não quiseres sair a bem sais a mal!!!!» ... o que é que me restava ???? Lá peguei na trouxa direitinha que nem um fuso e fui para a toca do Mocho ...
Mas não julguem que esta tortura começou para mim no dia em que a pintura foi feita .... nnnnnãããããooooo, uma semana antes já se notavam os sorrisos cúmplices e os segredinhos dentro deste verdadeiro clã decorativo ... era vê-los a correrem comigo de todo o lado de cada vez que tinham uma ideia nova (e se eles tinham ideias, a avaliar pelas vezes que fui recambiada...), coisas do tipo «amanhã já vou buscar «aquilo»...» .... AQUILO, mas que raio seria AQUILO ???? «Então Mocho, sempre fica aquela côr ????» perguntava a Vespa sob o olhar atento do Dónas ... «não, não, lembrei-me de outra muito melhor ...» e eu ali, qual dama atraiçoada a ter que me rir com vontade de os afogar em perguntas ... de vez em quando tentava apanhá-los de surpresa e fazer uma pergunta vinda do nada, qualquer coisa do tipo Freudiano, tipo técnica psicanalítica, mas isto é tudo gente com muita prática, que não se deixa levar por principiantes !!!!
Pensei que se não desenvolvi uma sindrome paranóide nessa semana, fiquei imune para o resto dos meus dias !!!!
Em plena toca do Mocho, na sexta feira à noite, esperei sozinha pelos 3 heróis da construção civil ... que, a propósito, me tinham PROIBIDO sequer de me aproximar do telemóvel, salvo se fosse uma situação muito «urgente» (leiam este «urgente» em negrito, itálico e com sublinhado duplo) ... e se esperei ... quando chegaram, quase às duas da matina, e para meu desespero, vinham limpinhos, mas tão limpinhos, que até pareciam uns meninos do coro ... nem uma pinguinha de tinta para amostra (pelo menos à primeira vista), soube depois que o mocho trazia uma mancha de tinta no ... bem, esta história agora não interessa nada !!!!
Dia Nº 2 (e último da surpresa) ... sábado ... se na sexta tinha ficado 4 horas e meia sozinha, no sábado fiquei todo o dia ... sim, foi por opção, porque me achava uma companhia tão má pela impaciência que me trazia a minha curiosidade mórbida e pela ansiedade de ver a surpresa que só consegui suportar a presença dos cães mais lindos do mundo !!!! Não sei se eles terão ficado com tão boa impressão de mim depois daquele dia, mas pronto ... não vos vou descrever o meu dia, mas posso resumi-lo assim: do sofá para o pc, do pc para o terraço, do terraço para a cozinha da cozinha para a sala, da sala para o sofá (da sala !!!!!!), pega no comando, muda obstinadamente os canais da televisão, sem sequer ver o que está a dar em cada um deles (fiz isto 3 ou quatro vezezs seguidas), mais duas e já podia ser integrada no Call Center da TV Cabo para explicar a ordem dos canais aos Clientes sem recurso a suporte escrito (sim porque da maneira que isto anda, as empresas precisam de reduzir custos, e uma folha de papel é uma folha de papel) ... ah, sim, da muda os canais no sofá da sala para o terraço, do terraço para ... enfim para todo o lado menos para a minha sala, que era o que mais me apetecia estar !!!!
Eram dez da noite ... o meu estado mental agravava-se de minuto para minuto até que .... tam tam tam tam ta ra tam, tam tam ta ram tam tam tam ... (só para quem conhece o toque do meu telemóvel) ... ERAM ELES !!!!!
Senti-me como um naúfrago que vê passar, muito ao longe, um navio ... sim, muito ao longe, porque o telefonema era para informar que ainda iriam demorar «mais um bocadinho» ... desliguei o telemóvel e desliguei-me também, ou, por outras palavras, desliguei o que restava da minha sanidade mental, aquele «mais um bocadinho» parecia um daqueles socos no estômago que te faz vomitar um bife apesar de teres comido peixe cozido ao almoço ...
Lembrei-me que durante o malfadado telefonema ainda tentei sorrir, mas incapaz de me conter, deixei escapar um «já estou UM NICO farta de aqui estar na toca do Mocho...», este UM NICO deve ter soado tão a falso como aqueles comentários das amigas detestáveis que te dizem ... «esse corteZINHO de cabelo fica-te tão bem...» quando tu te olhas ao espelho e te perguntas a ti própria se te terá caído algum ninho de cucos no alto da cabeça ...
Mas já não havia nada a fazer, já tinha dito, e o que «tá dito, tá dito» ... claro que a suspeita, agora confirmada, do meu estado limite, ainda fez vibrar mais os obreiros que disfrutaram do pratinho até à última cena ...
Três horas e meia depois .... SIM, três horas e meia depois, que foram, entretanto e felizmente MUITO bem acompanhadas (obrigada MUSTELINHA, obrigada SANTI) ... chegou o grande momento ...
Tinha sido tudo preparado ao pormenor ... com direito a fita para tapar os olhos e tudo ...
Entrei na sala, de olhitos tapados e senti o cheiro delicioso do incenso que se entranhou nas narinas e me fez sonhar de olhos fechados (literalmente), senti um calor estranho, aquele calor que só se sente quando se está perto de quem se ama e começou a contagem final ... TRÊS, DOIS, UM ... e eu .... «(..............)»
Fiquei SEM PALAVRAS, porque não havia palavras que explicassem como é que 3 pessoas conseguem, numa noite e num dia operar tamanha transformação, corporizar o amor que me têm numa obra digna de ser vista ... era a minha sala, o meu espaço, agora transformado pelas mãos da amizade, pelo empenho e dedicação que só um amor sem limites pode proporcionar, por 3 das mais belas e especiais criaturas que tive a felicidade de se cruzarem no meu caminho ...
A vocês, declaro e publico o meu reconhecimento, o meu amor, a minha amizade. A vocês vos digo que sou vossa ... em cada gesto, em cada olhar, em cada palavra, em cada sorriso, em cada zanga, em cada partilha, em tudo aquilo que vos digo e em tudo aquilo que vos mostro sem palavras.
Sou vossa, obrigada por serem meus.
E dá vontade de perguntar. Será que eu mereço isto ????
O Caracol da Sala Remodelada
PS. Passo-vos o aviso que me passaram a mim ... esta foi a primeira divisão ... das outras eles vão tratar a seguir ... eu estou a aguardá-los a eles ... aguardem-me vocês a mim também ...
Sim Senhor Doninha ...

sexta-feira, junho 24, 2005

Florbela Espanca, Como Só Ela Sabe Ser ...


«Sou pagã e anarquista, como não podia deixar de ser uma pantera que se preza (...) Nem saúde, nem dinheiro, nem liberdade. A pantera está enjaulada, até que a morte lhe venha cerrar os olhos, e da sua miserável carcassa cinzele um tronco robusto a latejar de seiva, ou uma sôfrega raiz a procurar fundo a água que lhe mate a sede...»

(in Vol. V, carta nº 156)

Um Caracol Poético

Florbela Espanca, Uma Mulher que Viveu Antes do Seu Tempo ...



Nasce em Vila Viçosa a 08 de Dezembro de 1894 Flor-Bela d’Alma da Conceição Espanca, filha de Antónia da Conceição Lobo e João Maria Espanca.

Matricula-se no 1º Ano do Liceu em Évora, que frequenta até 1912.

A 8 de Dezembro de 1913 casa, em Vila Viçosa, com Alberto de Jesus Silva Moutinho.

De Julho a Setembro de 1916, participa como colaboradora literária no Notícias de Évora.

Concluí no liceu de Évora o 7º Ano de Letras, como aluna externa, em 1917 e, nesse mesmo ano, matricula-se na Faculdade de Direito de Lisboa.

Em 1919 publica o Livro de Mágoas.

A 30 de Abril de 1921 é decretado o divórcio de Florbela e Alberto Moutinho. Volta a casar-se a 29 de Junho desse mesmo ano, na conservatória do registo Civil do Porto, com António José Marques Guimarães, do qual se vai divorciar, ainda nesse ano, a 09 de Novembro.

Em 1923 publica o Livro de Soror Saudade.

A 04 de Abril de 1924, António José Marques Guimarães distribuí acção de divórcio contra Florbela, na 6ª Vara Civil de Lisboa.

A 23 de Junho de 1925 é decretado o divórcio. Florbela casa de novo a 15 de Outubro desse mesmo ano com Mário Pereira Lage, na Repartição do registo Civil de Matosinhos.

A 08 de Dezembro de 1930, no dia do seu nascimento e do seu primeiro casamento, Florbela põe termo à vida, na sua residência em Matosinhos.

Em 1930 é publicado o seu livro de sonetos Charneca em Flor. O seu livro de contos As Máscaras do Destino é publicado em 1932.

Em 1949 é inaugurado, no Jardim Público de Évora, um monumento em sua homenagem, da autoria do escultor Diogo de Macedo. Azinhal Alberto e José Emídio Amaro publicam, nesse mesmo ano, Cartas de Florbela Espanca.

Os seus restos mortais são transladados em 1964 para o cemitério de Vila Viçosa.

Em 1981 é publicado Diário do Último Ano, de Florbela.

Um Caracol (MUITO) Admirador

Siddhartha



O que procuramos ?? Do que corremos atrás ??

Quem sabe, sabe ... e nesta busca incessante por tudo aquilo que parece nunca nos satisfazer, damos connosco a olhar fixamente para uma porta que se fecha sem sequer nos apercebermos de todas aquelas portas que entretanto se abriram ...

Partilho com todos vocês, meus AMIGOS, este ensinamento de Siddhartha ...

«Quando alguém procura - respondeu Siddhartha - pode acontecer que os seus olhos vejam apenas a coisa que ele procura, que não permitam que ele a encontre porque ele pensa sempre e apenas naquilo que procura, porque ele tem um objectivo, porque está possuído por esse objectivo. Procurar significa ter um objectivo. Mas encontrar significa ser livre, manter-se aberto, não ter objectivos. Tu, Venerável, és talvez um homem à procura, pois, perseguindo o teu objectivo, muitas vezes não vês aquilo que está perante os teus olhos (...)»

Para todos vocês, com muito carinho.

O Caracol Livre

quinta-feira, junho 23, 2005


 Posted by Hello

Quem Somos ????

O CARACOL terrestre é um molusco que pode ser encontrado em sítios tão variados como jardins, campos com vegetação, vinhas, debaixo de pedras, plantas e em muros e paredes de casas.

Em termos reprodutivos o CARACOL é hermafrodita, o que equivale a dizer que possuí os dois sexos, mas, independentemente dessa característica, os adultos acasalam (valha-nos isso !!!!). De cada par fecundado obtém-se uma dupla desova. O acasalamento e a desova ocorrem geralmente duas a quatro vezes em cada ano. A quantidade e tamanho dos ovos dependem da espécie e das condições ambientais.

Os CARACÓIS possuem uma «casa» em forma de espiral, onde todo o seu corpo se insere. Esta casca protege-o da chuva, do sol e do vento, mas também lhe permite respirar, uma vez que contém uma cavidade por onde passa o ar. 99% desta «casa» consiste em material mineral, essencialmente carbono de cálcio, constituindo um terço do peso total do CARACOL. Cresce com o próprio animal e, ao atingir a idade adulta, ganha um bordo mais rijo.

Os CARACÓIS Helix põem 50 a 80 ovos em cada postura com um diâmetro de aproximadamente 3 mm. Os Caracóis Achatina põem até 700 ovos de maior diâmetro, que chegam a atingir os 10 mm.

O CARACOL terrestre desenvolve-se bem em temperaturas que vão dos 18º aos 20º C, e com índices de humidade de 70 aos 80%, razão pela qual saem usualmente depois de chover.

Em condições ambientais normais estima-se que cada CARACOL da espécie Helix aspersa gera aproximadamente um kilo de CARACÓIS (cerca de 100 CARACÓIS). O peso médio de um CARACOL adulto desta espécie chega às 15 gramas e o tamanho da «casa» varia dos 1,5 mm até aos 50 mm de diâmetro. Os CARACÓIS Helix vivem entre 4 a 5 anos.

A sua velocidade de deslocação é, em média, de 4 a 10 metros por hora. A sua actividade é priviligiada em três períodos, durante a Primavera, Verão e Outono, nos quais se desenvolve e reproduz.

Fica feita a apresentação.

Caracol Pedagogo

quarta-feira, junho 22, 2005

Uma Nova Porta que se Abre a Todos os Amigos

Aqui se abre um novo espaço de partilha de emoções, histórias e ideias, umas mais, outras menos conseguidas, que isto da escrita, como tudo na vida, segue ao sabor da maré do estado de espírito ...

Esta aventura começou quando uma Vespinha e um Mocho me disseram: «e se para além de andares a "espreitar" nos blogs dos outros (este meu voyeurismo !!!!!!) criasses o teu próprio blog para nós "espreitarmos" também????»

E aqui está, graças a estes amigos de sempre, que eu amo de verdade, que me iniciei nestas lides cibernéticas.

Que este seja mais um ponto de encontro de amigos de hoje e de amigos de futuro. De conjugação e descoberta de interesses.

A todos aqueles que aparecerem no blog do CARACOL, que sejam bem vindos à minha humilde casquinha ...

Caracol Estreante