Até nem me arrependia, não fosse ver que, de facto, a política é a «ocupação» - não uso a palavra «trabalho» propositadamente – que melhor serve os interesses daqueles que : gostam de ter uma boa «ocupação»; têm muitos amigos a quem dar «emprego» (de notar que «emprego» significa, em termos de dispêndio de energia, mais que «ocupação» mas menos que «trabalho», sim porque para trabalhar estamos cá nós!!!!; gostam de dar espectáculos de mau comportamento no Parlamento a rirem-se na cara daqueles que estão a falar (pelo menos, a mim, os meus pais ensinaram-me que isso é falta de educação ...); têm défice de atenção, sim porque nas imagens que exibem do Parlamento, enquanto 10% do total das bancadas escutam atentamente (ou então dormem de olhos abertos) aquilo que diz o orador, os restantes 90% estão na calhandrice ou a falar ao telefone - deviam, por isso, ter aulas de estudo acompanhado no sentido de diminuir o elevado índice de dispersão que apresentam; gostam de falar para microfones; não sabem o que é que hão-de fazer a tantas regalias que têm; aqueles que são putos com as fraldas quase agarradas ao rabo (alguns deles sem sequer serem licenciados, o que não deixa de ser curioso quando nos nossos dias quase que exigem uma licenciatura a um empregado de balcão) e que gostam de se armar em respondões com aqueles que lhes proporcionaram a liberdade para poderem ser malcriados sem irem bater com os costados a uma qualquer prisão ... enfim tudo isto e mais tudo aquilo de que me lembraria depois de assistir a mais 5 minutos de debate.
E esse é o lado perverso das campanhas eleitorais ... os gajos vão para as praças lambuzar-se com as beiças das peixeiras e os cumprimentos engordurados dos homens do talho, sujar-se com a baba das criancinhas nas quais insistem sempre em pegar ao colo, principalmente se por perto estiver algum fotógrafo ou alguma estação televisiva. E é vê-los, que nem peixe na água a distribuir sorrisos, aventais, bonés e ... em casos mais extremos, electrodomésticos !!!!
Depois assistimos a cenas irreais como aquela que a minha amiga «Lóla» tão bem conta ... em plena campanha o candidato generosamente distribui electrodomésticos à população que, à boa maneira da pedinchice portuguesa, o cerca e se esgadenha e acotovela por uma faca eléctrica, e, no meio desta confusão, diz uma senhora com um ar muito deprimido ... «olhe, muito obrigadinha pelo frigorífico que me deu ... agora só me falta ter luz em casa...» e o candidato responde, com um ar que denotava algum melindre e impaciência: «luz, agora querem luz ... vocês querem tudo !!!!!, uma coisa de cada vez ... ».
... e já gozas, até porque toda a gente sabe que os frigoríficos funcionam a pilhas.
Onde eu também gosto muito de os ver é nas visitas que fazem aos lares da terceira idade e das palmadinhas que dão nas costas dos velhinhos enquanto perguntam com a maior desfaçatez do mundo: «então?? como é que isso vai?? vai benzinho??». Vai muito bem muito obrigado, com as reformas de merda que lhes pagam vivem num desafogo ...trabalharam uma vida inteira para chegar à velhice e pensar se hão-de comprar o medicamento de que precisam ou se hão-de comer até ao fim do mês ... porque, na grande maioria dos casos, as duas coisas ao mesmo tempo é que eles não podem fazer, porque o dinheiro, pelo menos o deles, não estica. Vão muito bem, obrigado, com uma assistência hospitalar de primeira água e cuidados de saúde atempados, a maior parte deles, morrem da doença, ou da falta de cura. Vão muito bem obrigado, passam dias inteiros a jogar às cartas num qualquer banco de jardim porque não sobrou, nem uma moedinha de Euro2004, dos milhares de milhões que se gastaram a construir estádios, para construir centros de dia com actividades que os pudessem estimular para que não vissem os dias, simplesmente, a passar por si. Vão tão bem os velhinhos deste país, felizes e contentes, porque eles, como nós, têm muitas razões para isso.
Mas é disto que vemos aos magotes sempre que há campanhas eleitorais, um festim de exibicionismo, um discurso preparado ao pormenor, operações de charme à conta dos incautos que ainda acreditam que eles andam lá para fazer bem a alguém.
E agora lembraram-se de que vamos bulir até aos 65 anos ... parece-me uma medida muito inteligente até porque, como não fecham dezenas de fábricas todos os dias, o aumento do investimento em Portugal cresce a olhos vistos e há um emprego em cada esquina para todos nós, basta para isso que queiramos trabalhar... ATENÇÃO, não estou com esta do «emprego em cada esquina» a sugerir que nos dediquemos todos à prostituição, que as raparigas já se queixam que a vida para elas também anda má e não querem (mais) concorrência.
Sugeria então, que a nossa nobre classe política, começasse por se deixar contagiar por este espírito de Robin Hood, e se desfizesse de ainda mais regalias para que, neste cantinho à beira mar plantado, parássemos de tapar a cabeça e destapar os pés e vice-versa; para fazermos de Portugal um país de que nos possamos realmente orgulhar por tudo aquilo que ele nos dá e não termos só orgulho em ser Portugueses porque somos Vice-Campeões Europeus e temos um seleccionador Brasileiro que nos quer fazer acreditar que é por causa dele que descobrimos que devemos ter orgulho num país que lhe paga a ele, largos milhares de euros por mês ... assim também eu tinha muito orgulho de Portugal...
Caracol Comentador

















